Texto de Tim Barnes
Só um homem duro consegue ser um pai terno
Uma das minhas mais antigas recordações do meu tempo de criança é estar em casa à espera que o meu pai chegasse do trabalho. Quando ele chegava à porta, pegava-me ao colo, atirava-me ao ar e dava-me aquele abraço especial de urso grandalhão. O meu pai era um homem afectuoso e esperava que os filhos lhe retribuíssem esse afecto.
Anos mais tarde, ao ter filhos meus, pensei que a paternidade fosse uma coisa que viesse naturalmente, devido à facilidade com que o meu pai lidara com ela. Mas para mim não houve nada de fácil. De certa maneira, a ideia de que os homens são secundários como pais, relativamente às mulheres, dominava a minha noção da criação dos filhos. Eu estava presente junto deles, para certas actividades, mas o essencial da criação pertencia à minha mulher.
Eu achava que os verdadeiros homens supostamente não deviam ser brandos. Os verdadeiros homens ensinam os filhos a jogar futebol. Eu acreditava que a criação dos filhos era uma actividade exclusivamente feminina. No entanto, à semelhança de muitos outros novos pais, em breve descobri que isto nada mais era do que um mito. E causou me surpresa descobrir que era capaz de aprender a criar os meus filhos.
Se estiver para ser pai, ou tiver acabado de ser pai, parece-me que algumas das indicações abaixo incluídas o ajudarão a enfrentar os desafios do novo papel que vai desempenhar .
1 -
Nunca subestime o poder de um bebé"Poder" não é simplesmente uma coisa para ser exercida por homens adultos. Existe sob várias formas. O homem é posto a enfrentar o mundo. Luta. Os verdadeiros homens vencem sempre. Infelizmente, há pouquíssimos modelos masculinos que simbolizem uma das aventuras maiores e mais poderosas que um homem pode ter - criar os seus filhos.
O impressionante acto natural que é o nascimento de uma criança consegue, por si só, fazer-nos sair de nós próprios e tomar-nos pessoas diferentes. Hoje não sou o mesmo homem que era quando vi pela primeira vez a minha primeira bebé. Nunca pensei que o simples acontecimento de ser pai viesse a mudar de maneira tão profunda o modo como me via a mim mesmo, tomando-se uma enorme força na minha vida.
De repente, aprendi a fazer coisas - coisas suaves, coisas sossegadas que nunca antes tivera a oportunidade de fazer. Por vezes, o inevitável processo da criação de laços afectivos coloca desafios ao nosso plano de vida masculino de maneiras que nunca sonháramos poderem existir.
Eu sabia que a nossa bebé seria pequena e dependente, mas não imaginava sequer que ela pudesse reagir ao meu contacto e que me procurasse para criá-la da mesma maneira que procurava a mãe.
A bebé não sabia que eu era um homem, nem que, supostamente, só começaríamos a relacionar-nos um com o outro quando ela aprendesse a jogar futebol. Manifestou desde muito cedo as suas necessidades
2 -
Os novos pais precisam de aprender a criar os filhosTome a decisão de criar o seu filho e envolva-se intimamente no amor e cuidados que dá ao seu bebé. Tome essa decisão ANTES de ele nascer.
Depois de o bebé nascer irá ficar admirado com o seu envolvimento e com a receptividade que o seu bebé recém-nascido mostra ao estímulo especial do seu toque.
As necessidades da minha bebé recém-nascida colocaram-me perante desafios que tomariam a escalada de montanhas escarpadas uma coisa aborrecida e rotineira. Pouco tempo depois de a minha filha nascer, um dia a minha mulher foi obrigada a ausentar-se durante parte da manhã. Fui ao quarto da bebé porque ouvia-a a chorar. Levantei-a do berço e trouxe-a para a cama comigo. Foi uma das primeiras vezes em que estivemos sozinhos um com o outro e foi uma daquelas experiências pessoais curtas - mas intensas - pela qual todos os pais passam mas sobre a qual poucos homens costumam falar.
É verdade que não somos um sexo muito "táctil" e que, muitas vezes, nós homens temos medos subconscientes do prazer que sentimos ao sermos tocados. Muitas vezes transmitimos esse receio aos filhos e, como resultado disso, muitos homens têm medo de pegar ao colo nos seus próprios filhos e de brincar com eles.
3 -
Os novos pais precisam de tocar muito nos seus bebésIsso, tocar-lhes só porque é importante tocar-lhes. E não só quando é preciso mudar-lhes as fraldas. E não só quando o bebé chora. Não são precisos pretextos para tocar no bebé. Vá ter com o bebé, pegue-lhe ao colo e abrace-o - porque sabe bem fazê-lo.
A primeira vez que trouxe a minha filha para a cama comigo foi pouco antes de aprender a mudar-lhe a fralda. Segurei-a despida em cima do meu peito. Aconchegámo-nos debaixo dos lençóis. Era uma criaturinha cor-de-rosa que se meneava, sem sequer conseguer aguentar a cabeça direita. Careca. E durante quase todo o tempo, parecia zangada com uma ou outra coisa. Teimosa, mas também capaz de me dar a entender exactamente o que sentia. Sem aviso prévio, de repente parou de chorar. Entrara em território novo, que era preciso explorar. Tentou focar os olhos no que se passava em redor. Bom, isto não era de certeza a Mãe. Mas serve. Os pêlos no peito deixaram-na na dúvida, mas, vistas bem as coisas, acabaram por não importar: era alguém que a tinha ao colo. Caiu a dormir sobre o meu peito. Começávamos a conhecer-nos um ao outro.
4 -
Ao novo pai: olhe que não vai ter um papel de menor importância na mente dos seu bebé
A verdade é que vai ficar surpreendido com a rapidez com eles passará a reconhecê-lo.
Este novo papel de "Pai" que acabou de assumir é muito importante. O seu nome vai subir alto na classificação e você vai tomar-se uma estrela.
Apesar do seu importante papel económico na maioria das famílias, já é tempo de o Pai assumir um papel mais importante no plano emocional.
E lembre-se: não importa se é rapaz ou rapariga. O sexo do seu filho nada tem a ver com as necessidades que tem em termos de criação. Os rapazes precisam tanto de estímulos como as raparigas. No princípio, o meu filho precisou tanto do estímulo da minha criação como a minha filha.
5 -
Criar filhos dá trabalho!Esqueçam-se da ideia feita de que criar filhos é uma actividadezita de: "gu-gus" desenvolvida pela Mãe, enquanto o Pai anda lá fora a ganhar o pão de cada dia. Criar um filho pode acontecer às três da manhã, quando o bebé acorda com dores de barriga. Quando a minha filha tinha um dos seus muitos desassossegos, eu segurava-a contra o meu peito, dentro de uma mochila macia, enquanto dançávamos e balouçávamos ao som de uma música de embalar durante algumas horas. Se não resultasse, passávamos para os Rolling Stones. Se, mesmo assim, ela continuasse a gritar, íamos dar uma volta de carro, para ela ver as vistas. Os médicos explicaram-nos que ela acabaria por superar o seu feito barulhento e resmungão. E assim foi. Ah, mas aquelas longas noites em branco ... Embalar, caminhar, andar de carro, balouçar, dançar, expectorar. Criar um filho pode ser difícil e dar cabo dos nervos - para não falar das relações. Só um verdadeiro homem é capaz de criar um filho.
6 -
Aos novos pais: a criação dos filhos não acaba na infância
É apenas um começo. A parte mais difícil da criação dos filhos é provavelmente o momento de deixá-los partir. E, mesmo assim, também isso é criá-los. O meu filho passou por algumas fases clássicas de rebeldia. Mas eu continuo convencido de que ele tem sido capaz de superar a sua adolescência devido à maneira como foi criado. Apesar de toda a sua independência, não têm medo de precisar de mim, quando realmente precisa de mim.
Ser-se um pai capaz de criar os filhos é a coisa mais masculina que um homem pode alguma vez fazer. É preciso ser-se ousado, empenhado, um pouco louco e ser-se capaz de descer até cá dentro, ao nosso interior, e arrancar de lá o melhor que há em nós. A longo prazo, um pai toma-se mais valioso para o seu filho do que uma sala cheia de brinquedos caros.
Tim Barnes, pai e especialista em aconselhamento infantil, está actualmente a escrever um livro sobre o seu pai. Vive em Key West, na Florida.